Cocaína, uma mulher e um repórter.

Seguindo a onda de tentar abordar assuntos mais gerais e menos centralizados em minha pessoa, tenho feito muitas reflexões durante as semanas que tem se passado [porque meus post nem sempre são escritos no dia em que são postados]. Cada vez menos os programas jornalísticos tem me chamado a atenção, porque ultimamente só se fala na morte de uma certa garota assassinada pelos pais. E por incrível que se possa parecer, eu, o pseudo-intelectual-sedentário , tenho assistido a jogos de futebol, e o pior, tenho comentado sobre os mesmos. Mas não estou escrevendo para falar de futebol e nem sobre esportes [o que seria muito estranho]. Hoje quero falar sobre um caso que acabo de ler em um desses tabloides de quinta mais conhecidos como “jornais populares”, porque não sei se vocês estão cientes do caso Cabrine e a cocaína...

Na terça feira dia 15 de abril, um dos poucos jornalistas que eu admiro, por sua imparcialidade [coisa não muito comum hoje em dia] , foi preso por tráfico de drogas. Quem era o jornalista? Roberto Cabrini. Quando meu pai [um mestre na arte de ver televisão enquanto arruma a casa e cozinha] contou que o Cabrini tinha sido preso, junto com uma mulher que ele afirmou ser uma fonte, por porte e tráfico de drogas, pensei que era brincadeira ou alguma notícia sem fundamento, mas quando comprei o jornal [só hoje, na sexta, dia 18 de abril] a primeira coisa que eu vi foi a reportagem falando sobre a soltura do jornalista, que através de exames de sangue provou estar “limpo”. Li a reportagem com todo o esmero que ela necessita, afinal de contas são poucas as pessoas que eu admiro e quando uma delas acaba sendo presa, me sinto na obrigação de acompanhar o caso, e nesse achei que deveria acompanhar a coisa toda com a mesma imparcialidade que via o Cabrini fazendo suas reportagens.

Bom... esse seria um post normal, sobre uma prisão normal, com uma personalidade normal, mas como aqui é o Super Nada, Mesmo, nada é tão normal quanto parece. Vamos as explicações, e as questões são: Quando todos os meios jornalísticos estão cobrindo o caso Izabella, porque só os jornais [impressos] de comando da “Globo” [como se ela fosse uma entidade unificada] estão fazendo um certo estardalhaço com o caso Cabrini? Porque, mesmo provando que a mulher, que o acompanhava, era uma fonte [o que leva a hipótese de que as drogas eram dela] e que não havia consumido nem uma grama de produtos ilícitos, ele foi preso por um período relativamente grande? Como a polícia ficou sabendo que o jornalista estava levando uma quantidade de drogas que pode ser considerada como tráfico, se ele estava com uma fonte [o que supõe que poucos sabiam aonde ele estava]?...Para as perguntas acima, eu só tenho uma resposta: armação!

É triste ficar sabendo que uma criança foi assassinada pela madrasta e que depois seu pai tentou encobrir a coisa toda fingindo uma queda [mesmo admitindo que ela morreu na queda]? Sim, é triste. Nem o meu lado “to nem ai para crimes hediondos” pode deixar de admitir que esse é um caso forte. Porém, meu lado “porra, a impressa é foda”, não pode deixar de atacar e dizer que é mais triste que, num país que já sofreu [e ainda sofre] com a repressão, um jornalista tenha que passar por perseguição de seus próprios colegas de trabalho. Não posso deixar de dizer que é por esse motivo [entre outros] que eu não leio mais jornal, leio poucas revistas, desde 2000 não ouço rádio e quando ligo a televisão só vejo filmes e muito mal algumas coisas da MTV...

OBS: Não, eu não voltei a ser um subversivo que odeia a Rede Globo. Só quero ter a ilusão [pelo menos a ilusão] de que estamos em um país aonde a liberdade é respeitada. E não me sinto mais digno só porque sou a favor de um jornalismo 100% imparcial, mesmo porque sei que só se pode ser, no máximo 60% imparcial [um dia eu explico isso melhor].

OBS2: Senhoras languidas e senhores bêbados, eu, seu ilustre [na verdade mais lustrado do que ilustre] amigo virtual, ainda estou procurando uma parceria para comandar o outro blog. Porque? Porque escrever em um blog já não é fácil, logo escrever um dois blogs [sendo um deles sobre contos, poemas e adjacências] é mais difícil ainda. Quem quiser me ajudar é só entrar no blog Contos, café, poesia [usem o link ao lado] e deixar seu comentário com e-mail para que possamos nos comunicar e por fim negociar...


Dessa vez vou deixar um “Brigaduuuuuuuu” [cresci ouvindo Fábio Júnior, graças a minha mãe] para quem anda passando por aqui e comentando minhas loucas idéias. Não vou mentir dizendo que são vocês que fazem o Super Nada ser como é, porque esse trabalho é só meu, porém posso dizer que são você que mantém ele vivo [sim, isso é uma coisa boa].

3 Comentários:

Thiago Borges disse...

Cara o seu blog tem ficado cada vez mais legal, sério mesmo. Como estudante de jornalismo te digo que a imparcialidade não chega nem a 50%. Cada instituição se preocupa apenas com o seu lado e o seu dinheiro. É o capitalismo meu chapa, eles querem que o resto se dane. Também gosto do Cabrini, mas como ele é da concorrência a globo bota pra foder com ele. O jornalismo não é limpo e ético como muitos pensam.

Mary West disse...

Faço jornalismo tb, e by the way, o Borges é da minha turma. Soh tenho a dizer q de ética esse povo naum entende nada e que o pior de tudo não é não possuir a ética, é fingir q possui e achar q tá fazendo um trabalho bem feito. Nem ligo mais a tv, prefiro ser chamada de alienada a ter q participar deste circo, fikei até sem sensibilidade sabe? Do tipow q já tou esperando uma nova tragedia p/ mudar um pouco os ares.

Leo disse...

Imparcialidade? Eu acredito mais no saci pererê do que nessa daí. Não acompanhei o caso Cabrini e só acompanho o de Isabela porque é impossível não acompanhar. O crime dela foi chocante? Sem dúvida. Mas, tão chocante quanto, é ver um país inteiro de hipócritas falsamente emocionados chorando lágrimas de crocodilo na TV.